Regularização da Vila Sahy avança três anos após tragédia em São Sebastião; veja obras e investimentos

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
Vila Sahy: tragédia que matou 64 pessoas completa três anos Três anos após a tragédia provocada pelas chuvas históricas no Litoral Norte de São Paulo, o bairro da Vila Sahy, em São Sebastião, vive um processo de regularização fundiária. Em 19 de fevereiro de 2023, deslizamentos de terra provocaram a morte de 64 pessoas. Desde janeiro deste ano, a Prefeitura de São Sebastião iniciou o Plano de Cadastramento Socioeconômico da Vila Sahy, etapa considerada fundamental para o avanço da Regularização Fundiária Urbana (Reurb). A ação é realizada em parceria com o Instituto Conservação Costeira (ICC). O cadastramento envolve visitas domiciliares, aplicação de questionários, registros fotográficos, georreferenciamento dos imóveis e atendimento direto aos moradores. Jovens monitores, formados por meio de projetos do próprio instituto e da Escola Técnica Estadual (Etec), auxiliam no trabalho. Vila Sahy, em São Sebastião, durante tragédia Fábio Tito/g1 São Sebastião vai começar cadastro socioeconômico da Vila Sahy Segundo a Secretaria de Habitação, todos os profissionais envolvidos atuam devidamente identificados e uniformizados durante as visitas. Os dados coletados permitirão traçar o perfil socioeconômico da comunidade, subsidiar as próximas etapas da regularização fundiária e ampliar a segurança jurídica das famílias. Memória e esperança após tragédia Morador da Vila Sahy desde os seis meses de vida, o professor de jiu-jitsu Wildes dos Santos lembra com emoção das cenas que presenciou naquela noite. “Naquele dia eu lembro muita gente apavorada, gritando, e a gente tentando cavar umas pessoas, retirando uns companheiros que se foram”, contou. A esposa dele, a confeiteira Aline Rocha, diz que, apesar do trauma, o casal decidiu investir no bairro. Há alguns meses, eles abriram o próprio negócio na região. “Um pouco depois da tragédia a gente investiu aqui pra poder ter nossa loja. A gente tem esperança de regularizar e não perder nossas casas nem o nosso local de trabalho”, afirmou. Entre os moradores que decidiram permanecer está a comerciante Ana Paula, que teve seu estabelecimento invadido por água e lama. Apesar dos momentos difíceis, ela afirma que mantém a fé e a esperança no local. "A Vila, ela vive hoje, ela sempre viveu. Aconteceu o que aconteceu mas a gente nunca quis sair daqui. A gente não quer sair daqui, a gente não vai sair daqui. Nós amamos aqui", disse Ana Paula LEIA TAMBÉM: Vila Sahy, bairro mais atingido por deslizamentos em São Sebastião, entra em processo de regularização Justiça nega pedidos de indenizações milionárias por tragédia em São Sebastião Imagens inéditas mostram o mar de lama que atingiu a Vila Sahy, em São Sebastião Barreiras Segundo a Prefeitura de São Sebastião, na Vila Sahy foram instaladas barreiras flexíveis e barreiras contra fluxo de detritos, conhecidas como debris flow, projetadas para interceptar materiais em caso de novos movimentos de massa. As intervenções também incluíram a construção de muros de gabião e ações de reflorestamento. O sistema de drenagem foi ampliado com túneis executados pelo método tunnel liner sob a rodovia SP-55, além de canalizações em colchão reno e aduelas de concreto, garantindo o deságue adequado no Rio Sahy. Barreira contra fluxo de detrito na Vila Sahy. Prefeitura de São Sebastião A tragédia A tragédia ocorreu na madrugada de 19 de fevereiro de 2023, domingo de Carnaval, após um volume extremo de chuva. A encosta cedeu e a lama desceu o morro, arrastando casas, veículos e moradores. A precipitação registrada naquele período foi a maior já medida no país. A principal evidência disso está nas encostas da Serra do Mar que cercam a vila - as chuvas deixaram 851 cicatrizes nos morros. Cicatrizes da Serra do Mar após os deslizamentos de terra na Vila Sahy, em São Sebastião, em 2023 Reprodução/TV Vanguarda Atualmente, parte dessas áreas apresenta sinais de regeneração, resultado de ações de reflorestamento conduzidas pela Fundação Florestal. Entre as técnicas adotadas estão o lançamento de sementes por drones e a hidrossemeadura. Após a tragédia, o futuro da área passou a ser tema de debate. Em novembro de 2023, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) pediu à Justiça a remoção imediata de moradores em áreas de risco e a demolição de imóveis. Meses depois, o governo estadual solicitou a retirada da ação judicial, alegando a busca por uma solução urbanística em diálogo com a comunidade. Segundo balanço divulgado pela prefeitura em 2025, cerca de R$ 245 milhões foram investidos na Vila Sahy. Tragédia na Vila Sahy completa 3 anos neste dia 19 de fevereiro. Prefeitura de São Sebastião Vila Sahy, em São Sebastião, após tragédia Fabio Tito/g1 Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/02/19/regularizacao-da-vila-sahy-avanca-tres-anos-apos-tragedia-em-sao-sebastiao-veja-obras-e-investimentos.ghtml


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