O silêncio e a profundidade do mar ganham destaque
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Histórias reais carregam uma força silenciosa. Elas revelam o que move, o que transforma e o que sustenta quem decide construir o próprio caminho. É por isso que a Be Sense nasce: para registrar trajetórias que importam, narrativas que iluminam e pessoas que, com sua verdade, inspiram mais do que imaginam.
Aqui, cada matéria é um encontro. Um mergulho no sensível, no humano e no extraordinário que existe no real. Através da arquitetura, da arte, dos afetos e da coragem que habita cada escolha, buscamos compreender não apenas o que alguém fez — mas o que essa história desperta em quem lê.
Se a sua trajetória também guarda um sentido profundo, uma virada, um gesto de coragem ou um capítulo que merece ser contado, este é o lugar.
Be Sense
Divulgação
Olhar BE
Há pessoas que vivem perto do mar.
E há aquelas que vivem o mar.
Sacha Novikov pertence à segunda categoria.
Ilhabelense por escolha — e por destino, sorte, água e sal —, ele transformou o oceano em extensão da própria alma.
Há 39 anos, vive entre o azul e o silêncio, onde o tempo se dilui e o essencial ganha forma.
“O mar me ensinou que toda conquista exige respeito e silêncio.”
— Sacha Novikov
Desde menino, acompanhava a família nos acampamentos à beira da Praia do Curral, no final dos anos 1970.
Ali, cercado pela natureza e pelas histórias dos pescadores, aprendeu que o mar é mais que paisagem: é escola, é rito, é espelho.
“Dormíamos ao som das ondas, cozinhávamos o que pescávamos… era uma vida simples e imensa ao mesmo tempo”, relembra com um sorriso sereno.
Entre o fôlego e o silêncio
Foi entre mergulhos e esperas que Sacha descobriu a pesca submarina — primeiro como curiosidade, depois como disciplina e filosofia de vida.
“Aprendi cedo que o mar tem vontade própria. É preciso escutar, não controlar.”
Na apneia, onde o corpo suspende o ar e o tempo parece parar, ele encontra o que chama de “o instante da verdade”.
“É ali que o corpo fala outra língua e a mente precisa se calar.”
O mergulho, para ele, é um diálogo com o invisível.
Cada submersão é uma conversa silenciosa com a natureza e consigo mesmo.
Ciente dos riscos, pratica o autocontrole físico e mental com rigor e respeito.
“O mar nunca me dá o que eu quero. Ele me oferece o que preciso.”
A relação é de igual para igual — o homem e o peixe, unidos pela respiração suspensa e pelo respeito mútuo.
Nem sempre há captura, mas sempre há aprendizado.
Profundidade que cura
Psicólogo clínico há 26 anos, Sacha encontrou no oceano o mesmo terreno que percorre em seu consultório: profundidade, introspecção e presença.
Para ele, mergulhar e escutar compartilham o mesmo princípio — ambos pedem entrega.
“O mergulho é como uma sessão de análise: é preciso confiança para se deixar levar pelas correntes, sem perder o eixo.”
No mar, ele pratica o desapego e a escuta ativa.
Na psicologia, o mar ressurge como metáfora constante — um espelho líquido onde emoções, medos e descobertas se refletem em ondas.
“Aprendo com o mar a aceitar o movimento, o imprevisível, e a respeitar o limite do outro e o meu próprio.”
Quando o mar vira arte
Be Sense
Divulgação
Da fusão entre o mergulho e a contemplação nasceu sua expressão artística mais profunda: o Gyotaku — técnica japonesa de impressão de peixes criada no período Edo (1603–1868).
Antes da fotografia, os pescadores japoneses usavam essa arte para eternizar suas capturas.
Acreditava-se que parte da alma do peixe permanecia viva no papel — e é justamente essa transcendência que move Sacha.
“Cada peixe tem uma história. Quando o imprimo, não é apenas uma imagem — é uma memória viva.”
Em seu ateliê banhado de luz, cada obra é um ritual.
Os peixes, cuidadosamente limpos e preparados, são pintados e pressionados sobre papel ou tecido, revelando suas formas, texturas e silêncios.
O resultado é um diálogo entre arte e natureza, estética e reverência.
Presente do mar
Nada em suas obras é por acaso.
As molduras são construídas a partir de madeiras coletadas no caminho até os pontos de pesca — fragmentos trazidos pelas marés, galhos encontrados em cachoeiras, pedaços submersos esculpidos pelo tempo.
“São presentes do mar”, diz com gratidão.
Os cabos e cordas que ornamentam as peças são também retirados do oceano.
O que antes poluía, em suas mãos ganha nova vida e sentido.
Transforma resíduos em beleza, ruínas em reverência.
“Tudo o que uso já teve uma história. O mar me dá o material, eu só devolvo de outro jeito.”
A ética da arte
Mais do que estética, o trabalho de Sacha é uma declaração de ética, consciência e respeito à natureza.
Sua arte nasce do gesto de cuidado: o mesmo que o faz selecionar criteriosamente o que pesca e transformar descartes em obras que ecoam propósito.
Cada quadro é um fragmento de vida, uma conversa entre o visível e o invisível.
Em suas texturas, há sal, tempo e alma.
“O mar é soberano. Eu só sou um visitante grato.”
Entre o visível e o invisível
Em Sacha, o oceano e a alma caminham juntos.
Ele mergulha nas águas com o mesmo respeito com que escuta uma história humana: atento, presente, sem pressa.
Em cada gesto, revela o essencial — a beleza do simples, o poder do silêncio, a leveza do pertencimento.
“O mar me devolve a mim mesmo. E é nele que tudo começa e tudo termina.”
Be Sense
Na Be Sense, buscamos histórias que abraçam — e Sacha é uma delas.
Um homem que fez do mar sua casa, da arte sua voz e da escuta seu ofício.
Sua trajetória traduz tudo aquilo que acreditamos: que o verdadeiro luxo está na alma das coisas, nas histórias que respiram verdade e no olhar que transforma o simples em extraordinário.
Sacha Novikov não apenas pinta peixes.
Ele imprime o invisível — e nos lembra que, no fundo, somos todos feitos de água, tempo e emoção.
Qual história você deseja contar?
WhatsApp: (11) 95355 4440
Acesse nosso Instagram