Bolhas infláveis no mar: bombeiros alertam para riscos de brincadeira proibida em praias no litoral de SP
04/01/2026
(Foto: Reprodução) Bolhas infláveis no mar: bombeiros alertam para riscos de brincadeira proibida em praias no litoral de SP
Divulgação/Prefeitura de Caraguatatuba
As bolhas infláveis, usadas como brinquedos para flutuar no mar, são proibidas em algumas praias do Litoral Norte de São Paulo. A região já registrou incidentes por causa do objeto e, com a chegada do verão e da alta temporada, os bombeiros alertam para os riscos que a prática representa à segurança dos banhistas.
De acordo com os bombeiros, o equipamento pode ser levado pelo vento e pela correnteza, fazendo com que a pessoa dentro da bolha se afaste rapidamente da faixa de areia e fique à deriva no mar. A corporação é clara: além de ser ilegal em algumas cidades litorâneas, tanto adultos quanto crianças correm riscos ao usar o equipamento nas praias.
Segundo o primeiro-tenente Guilherme Vegse, do Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar), as bolhas infláveis passaram a ser exploradas comercialmente nas praias sem qualquer regulamentação ou garantia de segurança.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp
O oficial alerta que, por serem usadas em um ambiente aberto, as bolhas ficam sujeitas à ação do vento, das ondas, da maré e ao contato com outras pessoas e embarcações, com o banhista correndo risco até de ser atropelado por barcos.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
“As bolhas infláveis surgiram como uma forma de diversão, mas isso não foi feito de maneira regulamentar, de modo a oferecer segurança. A praia é um ambiente aberto, sofre muita ação dos ventos, das ondas e da maré”, explicou o tenente.
“O que acontece é que, num descuido, as pessoas acabam navegando para longe dentro dessas bolhas. Isso é muito perigoso, porque pode colidir com uma embarcação ou até ir parar em alto-mar”, afirmou.
Ainda segundo Vegse, em situações como essas, a vítima pode precisar ser resgatada por equipes de busca e salvamento.
“É uma situação extremamente perigosa, já que a pessoa está presa dentro de uma bolha, flutuando no mar”, destacou.
Imagem de arquivo - Criança usando boia na praia.
Alexandre Meneghini/Reuters
O bombeiro avalia que, além das bolhas, há outros objetos flutuantes que também trazem riscos para os banhistas e devem ser evitados.
"Assim como as bolhas, bastante parecido nós temos os colchões infláveis. Colchões infláveis também já foram febre nas praias e foram proibidos. Até um colete salva-vidas - que está preso ao corpo, é projetado para manter a pessoa com a cabeça fora da água e é um bom dispositivo de segurança - ainda assim corre o risco do colete facilitar com que a criança navegue na correnteza", pontuou.
"E quando nós falamos de bolas, boias de cintura, aquelas boias de patinho, ou parecidas, como pranchinhas de isopor, aquelas bodyboards: elas não são recomendadas. A criança não está bem presa, não está segura, ela vai navegar na correnteza, vai parar no lado mais fundo, vai se desesperar, vai querer abandonar aquele objeto para tentar voltar e aí começa o processo de afogamento. E vale observar que isso não acontece só com criança, acontece com adultos e com frequência", reforçou.
O tenente também reforçou a orientação de cuidado aos pais e responsáveis, já que a maioria das vítimas são crianças. Ele também alertou para o problema no consumo de serviços oferecidos por comerciantes irregulares.
“Não incentive o comércio irregular e não coloque a sua criança em um brinquedo ou dispositivo que não tem condições de segurança, que é proibido pelas prefeituras e não é recomendado pelo Corpo de Bombeiros”, orientou Vegse.
O GBMar reforça que brinquedos infláveis no mar podem transmitir uma falsa sensação de segurança e recomenda que banhistas sigam sempre as orientações dos guarda-vidas e da sinalização nas praias.
Imagem de arquivo - Casal preso em bolha inflável
Reprodução/ TV Globo
Fiscalização e multas
A fiscalização e a regulamentação do uso de objetos nas praias são de responsabilidade das prefeituras.
Ao g1, Caraguatatuba informou que a atividade de bolha inflável não é licenciada no município por questões sanitárias e de segurança. O descumprimento da proibição pode acarretar em multa de R$ 3.614,40, por exercício de atividade comercial sem alvará. O objeto também é apreendido.
A cidade de São Sebastião afirmou que não há autorização para locação deste equipamento no município e que, caso seja flagrado nas praias, será apreendido.
Anteriormente, Ubatuba também havia informado ao g1 que a atividade é irregular na cidade, sendo alvo de fiscalização.
Já a Prefeitura de Ilhabela alega que não há bolhas infláveis no arquipélago e que para operar o serviço na cidade o empresário deve entrar com os pedidos de autorização nos órgãos responsáveis. Atualmente, o uso de bolhas não é proibido em Ilhabela, desde que a pessoa tenha todas as autorizações municipais e da Marinha.
Susto em Ubatuba acende o perigo de objetos flutuantes
Criança à deriva
O alerta sobre os riscos de usar bolhas infláveis ganhou reforço na região após um caso registrado em dezembro de 2024, quando uma criança foi resgatada à deriva dentro de uma bolha inflável no mar no Litoral Norte de São Paulo.
O menino, que tinha aproximadamente 8 anos, foi encontrado por tripulantes de uma lancha que estavam voltando para a praia - relembre o caso clicando aqui e no vídeo acima.
Na época, o resgate foi feito com a ajuda de um marinheiro, que relatou a preocupação ao perceber que o vento e a correnteza afastavam rapidamente o brinquedo da faixa de areia, situação que poderia ter resultado em um acidente grave.
Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina